A Arte de Amar, de Ovídio: o que ele ensinava sobre conquista (e o que ainda vale hoje)
A Arte de Amar é um poema romano, com mais de 2 mil anos, que ensina a conquistar e a se cuidar. Ainda valem a atenção aos pequenos gestos, o asseio e a elegância sem exagero. Não valem a ideia de que um "não" é só jogo: hoje, consentimento é um sim claro.
Neste artigo
- Como o livro é organizado
- 1. “Tudo é arte”
- 2. Pequenas atenções
- 3. Asseio: o conselho mais atual
- 4. Elegância sem exagero (Livro 3)
- 5. Até rir tem aula
- 6. O making-of é privado
- O que NÃO envelheceu (e por que a Sense discorda)
- Ideias para hoje, com a Sense
- O que a Ana leva de Ovídio
- Cuidados e segurança
- Perguntas frequentes
- Fontes consultadas
Há mais de dois mil anos, um poeta romano escreveu um manual de conquista em versos, com humor e sem pudor. Chama-se A Arte de Amar (Ars Amatoria), de Ovídio. A Ana leu, traduziu alguns trechos leves e comentou o que ainda vale e o que ficou no passado. Spoiler: tem mais conselho de higiene e elegância do que de sedução.
Sobre a tradução. O texto de Ovídio é de domínio público. Usamos como base a edição inglesa em prosa de Henry T. Riley (1885), no Project Gutenberg, e fizemos uma tradução livre para o português, em trechos selecionados. Não usamos nenhuma tradução brasileira de terceiros, e deixamos de fora as passagens mais explícitas.
Como o livro é organizado
São três livros. O Livro 1 ensina a quem quer conquistar onde encontrar alguém e como agir. O Livro 3 é dirigido às mulheres, com conselhos de cuidado pessoal. O Livro 2 continua o poema entre os dois.
1. “Tudo é arte”
Ovídio abre o poema com um desafio:
“Se alguém do povo não conhece a arte de amar, que me leia; e, ensinado por mim, ao ler os meus versos, que ame. É pela arte que os navios correm com velas e remos; é pela arte que os carros ligeiros; pela arte também o Amor deve ser guiado.”
Nota da Ana: a ideia de que amar e seduzir se aprendem continua boa. Ninguém nasce sabendo conversar, escutar ou perguntar. O que a gente chama de “química” é, muitas vezes, atenção e prática.
2. Pequenas atenções
No Livro 1, Ovídio recomenda gestos simples, como levantar o manto que arrasta no chão:
“Pequenas atenções conquistam almas leves. A muita gente fez bem preparar uma almofada com a própria mão; fez bem abanar uma brisa com um leque e pôr um banquinho sob os pés delicados.”
Nota da Ana: adoro a lição: o cuidado está nos detalhes. Um bilhete, uma almofada, um copo de água. Só um aviso: no mesmo trecho, Ovídio sugere “limpar” a poeira do colo de quem se quer conquistar. Esse eu não faço. Tocar o corpo de alguém sem convite não é gentileza, é invasão. Pergunte antes.
3. Asseio: o conselho mais atual
Aqui Ovídio fala direto, e com humor:
“Que o asseio lhe agrade: que a roupa lhe caiba bem e esteja sem manchas; que a língua não esteja pastosa, nem os dentes amarelados. Que as unhas não estejam irregulares e estejam sem sujeira; que nenhum pelo apareça nas narinas. E que o hálito da boca não seja ofensivo.”
Nota da Ana: conselho de 2 mil anos e continua valendo, sem tirar nem pôr. Cuidar de si é uma forma de respeitar o outro. (E, se você achou familiar, é porque o Kama Sutra também recomenda banho todos os dias. Os antigos já sabiam.) Para o dia a dia, um sabonete íntimo em sachê, descrito pela loja como de higienização com refrescância sem agredir a pele sensível, é um bom item para ter à mão.
4. Elegância sem exagero (Livro 3)
No Livro 3, o conselho às mulheres é surpreendentemente moderno:
“Não carregue as orelhas de pedras preciosas, nem saia pesada de roupas bordadas a ouro: pela riqueza com que procura nos atrair, muitas vezes nos afasta. É pelo asseio que somos cativados. Que o cabelo não fique sem arranjo… Cada uma escolha o penteado que lhe convém, e consulte primeiro o espelho.”
Nota da Ana: elegância é simplicidade bem escolhida. E o recado final é ótimo: escolha o que combina com você, não o que está na moda. Isso vale para o cabelo, para a roupa e, claro, para a lingerie: um conjunto em microfibra de toque suave com renda, como a loja descreve, não precisa de enfeite a mais.
5. Até rir tem aula
Prepare-se, que esse trecho é divertido:
“Quem diria? As mulheres fazem aula até de riso… Abra a boca só moderadamente; que as covinhas sejam pequenas e que a ponta dos lábios cubra a parte de cima dos dentes. E não deixe os lados tremerem num riso demorado.”
Nota da Ana: ri do jeito que sair. Riso solto, alto, com os dentes que você tem, é a coisa mais bonita que uma pessoa pode oferecer numa conversa. Ninguém precisa de aula de riso. (E se ri de um desencaixe na hora H, melhor ainda.)
6. O making-of é privado
Ainda no Livro 3, Ovídio defende esconder a “preparação”:
“Por que expor a obra pela metade? Feche a porta do quarto. Convém que os homens ignorem muita coisa. A maior parte das coisas causaria desgosto se você não escondesse o que há por trás.”
Nota da Ana: concordo em parte. Você tem o direito de se arrumar com privacidade, e ninguém precisa ver o making-of. Mas se você quiser mostrar o cabelo sendo penteado, ou o ritual de se arrumar, também pode: é uma forma de intimidade. A regra é sua.
O que NÃO envelheceu (e por que a Sense discorda)
- “Concorde com tudo.” No Livro 1, Ovídio sugere repetir o que o outro diz: “o que ela condena, condene; o que ela aprova, aprove; se ela sorri, sorria; se chora, lembre-se de chorar”. Nota da Ana: escutar é ótimo, concordar com tudo é fingimento. Relação boa tem opinião própria.
- “O não é só jogo.” Em outro trecho do Livro 1, o poema defende que a resistência de uma mulher é só um jogo e que, no fundo, ela quer ser “vencida”. Nota da Ana: isso é o oposto do que a gente defende. Não é não. O BC Centre for Disease Control, do Canadá, lembra que consentimento é mais do que um “sim” solto, e a Dartmouth College orienta a perguntar, dizer o que quer e o que não quer e respeitar um “não”, um “pare” ou um “mais devagar”.
Para conversar sobre isso com leveza, leia como conversar sobre fantasias sem constranger.
Ideias para hoje, com a Sense
O que ficou de bom de Ovídio, em versão atual:
- Pequenas atenções: um cartão sensual deixado onde a pessoa vai achar. Ele vem com envelope.
- Clima: pétalas perfumadas, em formato de pétalas de rosa, para decorar a noite.
- Brincadeira: uma raspadinha strip tease, descrita pela loja como um jogo para brincar acompanhado.
Para mais ideias, veja 12 jeitos de apimentar a relação e presente erótico para namorado ou namorada.
O que a Ana leva de Ovídio
Que amar se aprende, que cuidar de si e do outro é sexy e que elegância é saber o que combina com você. E que, em 2 mil anos, a gente aprendeu uma coisa que o poeta ainda não sabia: sem consentimento, não há sedução.
Perguntas frequentes
Quem foi Ovídio e o que é A Arte de Amar?
Ovídio foi um poeta romano que viveu há mais de dois mil anos. A Arte de Amar (Ars Amatoria) é um poema em três livros, escrito com humor, que dá conselhos de conquista e de cuidado pessoal. O primeiro livro fala a quem quer conquistar e o terceiro dá conselhos às mulheres.
A obra está em domínio público?
Sim. O texto antigo é de domínio público, e usamos como base a edição inglesa de Henry T. Riley (1885), disponível no Project Gutenberg (nº 47677). A tradução para o português, em trechos selecionados, é nossa.
Os conselhos de Ovídio ainda valem?
Alguns sim: atenção aos pequenos gestos, asseio e elegância sem exagero. Outros não: o livro trata a resistência de uma mulher como jogo e defende insistir. Hoje, o consentimento é um sim claro, livre e que pode mudar a qualquer momento.
O livro é explícito?
A obra tem passagens sensuais. Neste artigo usamos só trechos leves, sobre atenção, asseio, elegância e humor.
Vale ler a obra completa?
Vale como curiosidade histórica, com olhar crítico. Procure uma edição de editora reconhecida. A edição que usamos como base é a de Riley, em inglês.
Fontes consultadas
- Ars Amatoria; or, The Art of Love (tradução literal em prosa de Henry T. Riley, 1885) · Project Gutenberg, e-book nº 47677 (domínio público). Edição de origem dos trechos que traduzimos livremente para o português. Os trechos citados estão nos Livros 1 e 3.
- Partners & Communication (consentimento) · BC Centre for Disease Control, Smart Sex Resource. Consentimento é mais do que um "sim" solto; conversar sobre o que cada um quer e os limites torna a experiência melhor e mais segura.
- Consent: Communication · Dartmouth College. Dizer o que quer e o que não quer, perguntar ao outro e respeitar um "não", um "pare" ou um "mais devagar".
Conteúdo informativo, baseado em fontes públicas. Não substitui consulta com profissional de saúde.
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